Anticoncepção

Cabe ao médico uma abordagem completa sobre os principais métodos contraceptivos disponíveis, incluindo riscos, benefícios e o uso correto de cada um. Porém, a escolha final deve ser da mulher, que muitas vezes precisa experimentar vários para eleger o que melhor se adequa ao seu perfil e corpo.

Costumo brincar com minhas pacientes : “não é porque uma amiga está amando a nova pílula que ela será boa para você, é como parceiro, cada uma tem o seu! “

Pode parecer simples mas a escolha de um anticoncepcional exige uma anamnese (questionário) minuciosa para identificar o aspecto metabólico (e não apenas o efeito contraceptivo) e presença de patologias como SOP (Síndrome do Ovário Policístico), resistência insulínica, diabetes, doença cardiovascular, hipertensão arterial, trombofilias, dislipidemias, trombose, obesidade, antecedentes cirurgicos (bariátrica). 

Devemos considerar ainda dentro dos critérios de elegibilidade de um método : idade, tabagismo, antecedentes familiares, padrão menstrual, endometriose, miomas, cólicas, TPM, características da pele, manifestações androgênicas, alteração de libido e humor, enxaqueca, depressão, aleitamento materno vigente, intenção reprodutiva futura, proximidade da menopausa, e desejo de algumas mulheres em não menstruar (opção comprovadamente segura).

A tradicional “pílula anticoncepcional” (contraceptivo oral combinado) foi desenvolvida na década de 60 e sua fórmula evoluiu muito nos últimos anos, temos disponíveis mais de cem “marcas” de pílulas produzidas por inúmeros laboratórios.

As primeiras pílulas continham altas doses de hormônios, que causavam efeitos indesejados como aumento do peso, dores nas mamas, cefaléia, alterações vasculares e intestinais. 

Com o passar do tempo e mudanças do posicionamento feminino na sociedade as pílulas foram sofrendo alterações nas composições hormonais, diminuindo dosagens e mantendo a eficácia acrescida de recursos tecnológicos como os aplicativos para celular que diminuem as chances de esquecimento.

Na sequência da busca por produtos que atendessem aos vários perfis de mulheres, surgiram  novos métodos com diferentes vias de administração e posologia:

 • Contraceptivo oral combinado – índice de falha uso perfeito 0,3%

Popularmente chamada de pílula é composta  pelos hormônios estrogênio e progesterona e atuam inibindo a ovulação. Podem ser usadas de forma cíclica ou continua dependendo do desejo da mulher menstruar ou não

  • Minipílula – índice de falha uso perfeito 0,3%

Pílulas de uso contínuo compostas apenas por um tipo de hormônio (progestágeno) indicada para mulheres que estão amamentando e/ou têm contraindicação ao uso de estrogênio.

  • Pílula do dia seguinte (PPC) índice de falha 5% a 20%

Também conhecido como método contraceptivo de emergência, contém doses de hormônio mais altas que o contraceptivo regular e são utilizadas em casos de esquecimento de um ou mais comprimidos da cartela, relação sexual sem preservativo ou violência sexual. Deve ser ingerida no máximo 72 horas após     o coito de risco, porém, apresenta menor efetividade após as  primeiras 24 horas. 

  • Anel vaginal – índice de falha 0,3%

Anel fino e flexível com diâmetro externo de 54 mm e espessura de 4 mm. Inserido pela própria usuária na vagina onde permanece durante três semanas, na quarta semana (pausa) deve ser removido para reiniciar um novo “ciclo”. Como as pílulas, contém os hormônios estrogênio e progesterona, que são absorvidos para a circulação e levam à inibição da ovulação.

  • Adesivo cutâneo – índice de falha 0,3%

O “kit” contraceptivo mensal contém 3 pequenos selos compostos por estrogênio e progesterona que são colados na pele( braço, barriga ou gluteo e trocados toda semana) são absorvidos e vão diretamente para a circulação sistêmica. Na quarta semana o ultimo adesivo deve ser retirado e na pausa de 07 dias ocorre a menstruação.

  • Contraceptivo hormonal injetável – índice de falha uso perfeito 0,05 a 0,3%

Injeção de hormônios administrada intramuscular uma vez por mês ou a cada três meses.

  • Implante subcutâneo (Implanon) índice de falha 0,05% 

Pequeno tubete ou cápsula que contém o hormônio etonogestrel. Possui 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro com validade de 03 anos, introduzido pelo médico no consultório embaixo da pele por meio de um aplicador descartável.

Atua impedindo a liberação do óvulo do ovário, além de alterar a secreção de muco pelo colo do útero, e dificultar a entrada de espermatozoides.

  • SIUs/DIUs hormonais (Mirena e Kyleena) índice de falha 0,2%  

Dispositivo intrauterino com hormônio levonorgestrel válido por 05 anos.

O procedimento de inserção é simples, rápido e costuma ser realizado no próprio consultório do médico, sem a necessidade de anestesia. 

  • DIUs não hormonais ( cobre e prata) – índice de falha uso perfeito 0,6%  

Constituído por um dispositivo pequeno e flexível (em cobre com aumento de fluxo menstrual e cólicas e DIUs de prata com menos efeitos colaterais). Ambos têm validade de 05 ano e são inseridos pelo médico no consultório sem necessidade de anestesia.

Métodos “antigos”

Naturais:

  • Método do muco cervical – índice de falha 10% a 20%
  • Tabelinha – índice de falha 10% a 20% (aqui no site tem uma tabela para consultar seu período fértil).
  • Coito interrompido – índice de falha 15% a 20%

Métodos de Barreira

São removíveis e evitam a entrada do esperma no utero indicados às mulheres que não podem tomar algum tipo de hormônios.

  •  Preservativo masculino – índice de falha 8% a 20%

Popularmente conhecido como camisinha, composto por látex ou poliuretano, é um contraceptivo descartável utilizado no pênis, para recolher o esperma, impedindo-o de entrar no corpo da mulher.

  • Preservativo feminino – índice de falha 8% a 20%

A “camisinha feminina” é um contraceptivo inserido na vagina antes da penetração do pênis, para impedir a entrada do esperma no útero. O preservativo é pré-lubrificado com silicone, porém, outros lubrificantes, à base de água ou óleo, podem ser usados, para melhorar o desconforto e o ruído que pode causar.

 • Diafragma – índice de falha 8%   a 20%

Composto por uma membrana de silicone, em forma de cúpula, envolvido por um anel flexível. Existem diafragmas de vários tamanhos, podendo variar entre 50 mm a 105 mm. O diafragma é inserido na vagina antes da relação sexual, impedindo a entrada do esperma no útero. É recomendável que seja utilizado junto a um creme ou geleia espermicida, para oferecer maior lubrificação e também para aumentar a eficácia contraceptiva. Deve ser inserido meia hora antes do coito e retirado seis a oito horas depois.

   • Espermicidas – índice de falha 20%

São substâncias químicas em forma de geleia, creme, comprimido, tablete ou espumas, que devem ser colocadas na vagina 15 minutos antes da relação sexual. Funcionam como barreira para impedir o contato dos espermatozoides com o útero. Usados isoladamente, os espermicidas não oferecem grande eficácia, mas associados a outros métodos como o diafragma, são úteis e oferecem mais proteção. Em algumas mulheres, a substância pode provocar reações alérgicas.

Cirúrgicos:

  • Vasectomia e Laqueadura tubária – índice de falha 0,5 a 1,0%

Curiosidades: 

  • Método contraceptivo mais seguro do mundo: 
  • Abstinência sexual – índice de falha 0% ?
  • Único método contraceptivo que previne DST : Preservativo

Recomendo a dupla proteção (uso simultâneo de preservativos e método contraceptivo eleito) visando tanto a prevenção de gravidez quanto a de doenças.?

*Esse conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica!!