O Março Amarelo é uma campanha mundial de conscientização sobre a endometriose, uma doença ginecológica inflamatória em que um tecido semelhante ao endométrio – que normalmente reveste o interior do útero – cresce fora da cavidade uterina.
Esse tecido pode se implantar em órgãos como ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve, provocando inflamação, dor e, em alguns casos, infertilidade.
A endometriose afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo. No Brasil, estima-se que aproximadamente 7 milhões de mulheres convivam com a doença – muitas delas sem diagnóstico.
Um dos maiores desafios é justamente o tempo até o diagnóstico, que ainda pode levar de 7 a 10 anos desde o início dos sintomas.
Por isso, a informação é fundamental.
Quando suspeitar de endometriose?
A endometriose deve ser investigada principalmente quando alguns sintomas aparecem de forma persistente ou progressiva.
Os mais comuns são:
- Cólicas menstruais intensas, que pioram ao longo dos anos
- Dor durante ou após a relação sexual
- Dor pélvica frequente, mesmo fora do período menstrual
- Dor ao evacuar ou ao urinar, especialmente durante a menstruação
- Dor lombar ou na região do sacro
- Dificuldade para engravidar
Também podem ocorrer sintomas intestinais ou urinários que aparecem ou se intensificam durante o ciclo menstrual, como:
Sintomas intestinais cíclicos
- distensão abdominal
- constipação
- dor para evacuar (disquezia)
- dor anal
- presença de sangue nas fezes no período menstrual
Sintomas urinários cíclicos
- dor ao urinar (disúria)
- aumento da frequência urinária
- urgência para urinar
- presença de sangue na urina durante a menstruação
Estudos mostram que até 70% das mulheres com dor pélvica crônica podem ter endometriose, o que reforça um ponto essencial:
dor intensa não deve ser considerada normal.
Escutar o próprio corpo e buscar avaliação médica pode fazer toda a diferença.
Endometriose e fertilidade
Além do impacto na qualidade de vida, a endometriose também pode afetar a fertilidade.
Mulheres com a doença podem apresentar um risco até 6,5 vezes maior de infertilidade em comparação com a população geral.
Isso não significa que todas terão dificuldade para engravidar – muitas engravidam espontaneamente – , mas reforça a importância do diagnóstico e acompanhamento adequados.
Fatores que podem aumentar o risco
Algumas características podem estar associadas a uma maior chance de desenvolver endometriose, como:
- início precoce da menstruação (menarca antes dos 11 anos)
- ciclos menstruais curtos (menos de 27 dias)
- fluxo menstrual intenso ou prolongado
- não ter tido filhos (nuliparidade)
- histórico familiar da doença
- idade entre 25 e 34 anos
- tabagismo
Ter um ou mais desses fatores não significa que a mulher terá a doença, mas pode aumentar a atenção para os sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com algo fundamental: uma escuta atenta da história da paciente.
A avaliação inclui:
- anamnese detalhada
- exame ginecológico
- exames de imagem específicos
Entre os exames mais utilizados estão:
- ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal
- ressonância magnética com protocolos específicos para endometriose
Esses exames ajudam a identificar a presença, extensão e localização da doença.
O tratamento é individualizado
O tratamento da endometriose deve sempre ser personalizado, considerando diferentes aspectos da paciente, como:
- intensidade dos sintomas
- localização e extensão da doença
- idade
- desejo reprodutivo
- resposta aos medicamentos
- risco de complicações cirúrgicas
As opções terapêuticas podem incluir tratamento medicamentoso, acompanhamento clínico ou cirurgia, dependendo de cada caso.
Um dia importante de conscientização
No Brasil, o dia 13 de março foi instituído como Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, pela Lei nº 14.324/2022.
Se você se identificou com alguns desses sintomas, procure avaliação ginecológica especializada.
O diagnóstico precoce da endometriose pode reduzir sofrimento, melhorar a qualidade de vida e ampliar as possibilidades de tratamento.
Cada mulher tem uma história única, e a escuta cuidadosa é parte essencial desse processo.
Se precisar de orientação, agende uma consulta para uma avaliação individualizada.
Outras campanhas de saúde no mês de março
Março Lilás
Campanha de conscientização e prevenção do câncer de colo do útero.
Março Amarelo (medicina veterinária)
Voltado para a conscientização sobre doenças renais em cães e gatos.
Dra Amira Hazime
Ginecologista e Obstetra
CRM 66263 | RQE 37162