Vacinação de Maridos e Cuidadores na Gestação:
Por que Também é um Cuidado com o Bebê?
Imagine que o sistema imunológico do seu recém-nascido é como um castelo que ainda está em construção.
Nos primeiros meses de vida, as defesas dele não estão totalmente prontas para enfrentar todos os “invasores” (vírus e bactérias) sozinhas.
Enquanto esse castelo não fica pronto, quem o protege?
Vocês, a família.
A vacinação de todos ao redor do bebê cria um verdadeiro “escudo de proteção” (uma imunidade de rebanho familiar) que impede que doenças perigosas cheguem até ele.
Muitos casais se surpreendem quando falamos em vacinar o pai, avós e irmãos.
Afinal, a atenção não é toda da gestante?
É, mas a proteção deve ser coletiva. Quando o papai e os cuidadores estão imunizados, eles bloqueiam a cadeia de transmissão de doenças. Se ninguém ao redor pega a gripe ou a coqueluche, essas doenças simplesmente não têm como chegar ao bebê.
É uma forma de amor ativo e muito eficaz.
Além de proteger o bebê, vacinar-se protege a gestante.
Algumas infecções, como a COVID-19 e a influenza (gripe), podem ser mais graves durante a gravidez, aumentando riscos para a mãe e para a gestação em si.
Quando o parceiro está imunizado, ele se torna um aliado ativo na segurança da mãe, diminuindo drasticamente o risco de trazer o vírus para casa.
Guia Prático: Quais Vacinas Tomar e Quando?
Este guia é direcionado especificamente para pais, avós e cuidadores que conviverão de perto com o recém-nascido. O objetivo é proteger o bebê, cujo sistema imunológico ainda não está maduro, através da imunidade de rebanho familiar. O ideal é que essas vacinas sejam atualizadas antes do nascimento do bebê, preferencialmente durante a gestação.
Por que vacinar o pai e os cuidadores é tão importante?
1. Proteção indireta ao recém-nascido
Nos primeiros meses, o bebê ainda não pode receber várias vacinas. Ele depende da barreira de proteção formada pelos adultos ao redor.
Se quem convive com o bebê estiver imunizado, as chances de transmitir doenças para ele diminuem drasticamente.
2. Redução de riscos à gestante
Algumas doenças são especialmente perigosas durante a gravidez, podendo causar complicações maternas e fetais. Se o pai estiver imunizado, reduz-se o risco de que ele traga essas infecções para casa.
3. Menos internações e menos estresse no pós-parto
Doenças respiratórias e infecciosas no recém-nascido são uma das principais causas de internação nos primeiros meses de vida. A vacinação dos cuidadores funciona como uma medida preventiva simples, eficaz e acessível para minimizar riscos.
Por que o papai também deve se vacinar?
A vacinação do pai (ou de qualquer outro cuidador próximo, como avós e irmãos mais velhos) ajuda a criar um escudo de proteção ao redor do bebê. Esse conceito, chamado de “imunidade de rebanho” ou de “estratégia de casulo” reduz as chances de exposição do recém-nascido a doenças que podem ser perigosas para sua saúde.
Além disso, algumas dessas doenças podem ser mais graves em gestantes. Se o papai estiver imunizado, diminui o risco de transmissão para a mamãe, evitando possíveis complicações durante a gestação.
Agora, vamos ao que interessa: à lista de vacinas recomendadas para ele!
Vacinas essenciais para o papai durante a gestação da mamãe:
1. Vacina Tríplice Bacteriana Acelular do Tipo Adulto (dTpa)
A dTpa protege contra difteria, tétano e coqueluche. A coqueluche, em especial, pode ser perigosa para recém-nascidos, já que causa crises de tosse intensa e dificuldade respiratória. Como o bebê só pode receber essa vacina meses após o nascimento, a melhor forma de protegê-lo é garantir que todos ao redor estejam imunizados.
📌 Quando tomar?
Se o papai não tomou essa vacina nos últimos 10 anos, é essencial receber uma dose única antes da chegada do bebê.
2. Vacina contra Influenza (Gripe)
A gripe pode parecer inofensiva, mas em bebês pequenos pode evoluir para complicações respiratórias graves. Como o vírus se espalha facilmente, é importante que os cuidadores estejam vacinados para evitar transmitir a doença ao recém-nascido.
📌 Quando tomar?
A vacina da gripe é atualizada anualmente, então o ideal é tomá-la assim que a nova versão estiver disponível.
3. Vacina contra Hepatite B
A hepatite B pode ser transmitida por contato com fluidos corporais, incluindo o parto e o aleitamento materno. Se o papai não tem a vacinação completa contra a hepatite B, essa é uma boa oportunidade para se imunizar.
📌 Quando tomar?
O esquema vacinal pode variar entre 3 ou 4 doses, dependendo do histórico de imunização.
4. Vacina contra COVID-19
A COVID-19 ainda representa um risco para gestantes e recém-nascidos. Manter a vacinação em dia ajuda a proteger tanto a família quanto o bebê, especialmente nos primeiros meses de vida.
📌 Quando tomar?
Siga as recomendações do calendário vacinal vigente garantindo as doses e reforços necessários.
5. Vacina contra Sarampo, Caxumba e Rubéola (Tríplice Viral – SCR)
O sarampo é altamente contagioso e pode ser muito grave para bebês. A rubéola, por sua vez, representa um grande risco para gestantes, podendo causar síndrome da rubéola congênita, que leva a malformações no feto.
📌 Quando tomar?
Se o papai nunca tomou essa vacina ou não tem certeza sobre sua imunização, deve receber pelo menos uma dose.
6.Varicela (catapora)
A catapora em adultos pode ser grave, e em gestantes causa complicações sérias.
📌 Quando tomar?
Somente se não tiver tido a doença nem tomado a vacina
Contraindicada na gestante, por isso a importância de vacinar o pai/cuidadores.
Exige 2 doses com 30 dias de intervalo.
7.VSR (Vírus Sincicial Respiratório )
Recomendações por Grupo (Pais, Cuidadores e Gestantes)
Para Gestantes (A Estratégia Principal) Vacina Recomendada: Pfizer Abrysvo.
· Objetivo: Proteger o bebê através da transferência de anticorpos via placenta.
· Momento Ideal: A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda como rotina a partir da 28ª semana de gestação.
A ANVISA licenciou a vacina a partir da 24ª semana, podendo ser usada antes das 28 semanas a critério médico.
· Disponibilidade: A incorporação ao SUS foi anunciada e a vacina também está disponível em serviços privados de vacinação.
Para Pais, Avós e Cuidadores (acima de 50 anos)
· Vacinas Recomendadas: Pfizer Abrysvo, GSK Arexvy ou Moderna mResvia.
· Objetivo: Proteger a si mesmos e, ao não adoecerem, criar um ambiente seguro para o bebê (a “imunidade de rebanho familiar”).
· Indicação: Recomendada para todas as pessoas a partir de 75 anos. Para pessoas entre 50 e 74 anos, é recomendada para quem tem condições que aumentam o risco de doença grave.
· Disponibilidade: No Brasil, disponível em serviços privados de vacinação. A indicação oficial no SUS para esse grupo (idosos) ainda pode estar em processo de implementação.
Para Pais e Cuidadores Jovens (menos de 50 anos e sem comorbidades)
· Situação Atual: Não há uma recomendação de rotina para vacinação contra o VSR neste grupo.
· Justificativa: O risco de doença grave pelo VSR é muito menor em adultos jovens saudáveis.
A estratégia de proteção ao bebê, portanto, se concentra na vacinação materna e na proteção dos idosos ao redor.
· Exceção: A vacina Abrysvo está licenciada para pessoas a partir de 18 anos com comorbidades específicas (como cardiopatias graves, doença pulmonar crônica, imunossupressão), a critério médico.
📍Onde realizar essas vacinas?
Rede Pública (SUS)
Disponíveis gratuitamente:
• dTpa para gestante (para o pai pode depender de campanhas)
• Influenza
• Covid-19
• Hepatite B
• SCR em adultos sem comprovação vacinal
Clínicas particulares
Vantagens:
• Vacinas acelulares (menos efeitos colaterais)
• Atualização de carteirinha completa
• Horários mais flexíveis
• Estoque garantido de dTpa para acompanhantes
Locais possíveis:
• Clínicas de vacinação privadas
• Hospitais com setor de imunização
• Laboratórios reconhecidos com serviço de vacinas
Seja qual for sua escolha, o importante é ter seu cartão de vacinação em mãos e levá-lo para a avaliação do profissional de saúde.
Além das vacinas: outros cuidados para proteger o bebê
Além da vacinação, o papai pode tomar outras medidas para garantir um ambiente seguro para a mamãe e o bebê:
✅ Lavar as mãos frequentemente, especialmente antes de segurar o recém-nascido.
✅ Evitar contato com pessoas gripadas ou com sintomas de infecção respiratória.
✅ Manter a carteira de vacinação atualizada e incentivar familiares próximos a fazerem o mesmo.
✅ Apoiar a mamãe nas consultas e no pré-natal, garantindo que ambos estejam bem informados sobre os cuidados com a saúde do bebê.
A gestação é um momento especial de preparação para a chegada do bebê e isso inclui a imunização do papai! Além de demonstrar cuidado e comprometimento com a família, estar com a vacinação em dia reduz os riscos de transmissão de doenças para a mamãe e o recém-nascido.
Se você ainda tem dúvidas sobre quais vacinas tomar ou onde se imunizar, entre em contato com um profissional de saúde. Proteja quem você ama e aproveite essa fase com tranquilidade!
Perguntas Frequentes que Ouvimos no Consultório:
“O bebê vai ser vacinado mesmo, por que eu preciso tomar?”
Porque as primeiras doses do bebê levam semanas para gerar proteção plena.
Por exemplo, a primeira vacina contra a coqueluche é dada apenas aos 2 meses.
Enquanto isso, a imunidade vem de você. É como um revezamento de proteção.
“Essas vacinas para adultos são seguras?
Dão muitos efeitos colaterais?”
São muito seguras.
Os efeitos mais comuns (dor no local, cansaço, febre baixa) são leves e passageiros, sinais de que o corpo está aprendendo a se defender. O risco dessas doenças para um bebê é infinitamente maior do que o risco de uma reação vacinal.
“Minha esposa já tomou a vacina da gripe na gravidez.
Isso já não protege o bebê?”
Protege, e muito!
A vacinação materna transfere anticorpos diretamente para o feto, o que é maravilhoso.
Mas a proteção não é 100% e diminui com o tempo. Quando todos ao redor estão vacinados, criamos múltiplas barreiras, tornando o ambiente do bebê muito mais seguro. É uma proteção em camadas.
Dra Amira Hazime
Ginecologista e Obstetra
CRM 66263 / RQE 37162